Eu amo minha cunhada.
Amo de verdade.
Tenho admiração por ela, carinho, vontade de abraçar, beijar, colocar no colo e cuidar. Tem dias em que olho para ela e penso no quanto ela é importante para mim, no quanto gosto de tê-la por perto.
Mas também existem dias em que ela me irrita profundamente.
E aí eu digo:
— Eu te amo, mas às vezes eu te odeio.
Pronto.
Foi o suficiente para todo mundo querer entender como alguém pode amar e odiar a mesma pessoa.
E o problema é que eu mesma não sabia explicar.
Talvez porque não seja exatamente ódio.
Não é aquele ódio que deseja o mal. Não é desprezo. Não é falta de amor.
É outro tipo de “ódio”.
É o “me deixa quieta porque hoje eu não estou te suportando”.
É o “você precisa mesmo querer tudo do seu jeito?”.
É aquela irritação que só quem tem intimidade suficiente consegue provocar na gente.
Porque ela é mimada.
Pronto, falei.
Às vezes quer que as coisas sejam do jeito dela, na hora dela, da maneira dela. E isso me tira do sério de uma forma que poucas pessoas conseguem.
Tem hora que eu quero ficar perto.
Tem hora que eu quero ficar longe.
Tem hora que dá vontade de agarrar, encher de beijo e dizer o quanto eu a amo.
E tem hora que penso que alguns quilômetros de distância fariam muito bem para nossa relação.
Talvez isso tenha um pouco de amor de irmã.
Aquele amor sem cerimônia.
Irmão não fica o tempo inteiro dizendo coisas bonitas um para o outro. Irmão implica. Briga. Se irrita. Manda calar a boca. Quer distância. E, cinco minutos depois, se alguém mexer com o outro, é capaz de comprar uma guerra.
Talvez amar alguém de verdade também seja isso.
Não transformar a pessoa em alguém perfeito só porque a amamos.
É conhecer os defeitos.
É enxergar a parte chata.
A parte birrenta.
A parte que nos tira do sério.
E ainda assim olhar para aquela pessoa e pensar:
“Que criatura insuportável.”
E logo depois:
“Mas é a minha criatura insuportável.”
Eu não preciso gostar de tudo nela para amá-la.
Não preciso concordar com tudo.
Não preciso querer estar perto o tempo inteiro.
Às vezes o amor também precisa de distância, silêncio e alguns minutos respirando longe um do outro.
E talvez eu tenha finalmente entendido o que quero dizer quando falo que amo e odeio minha cunhada.
Eu não a odeio.
Às vezes eu só odeio o jeito que ela consegue me irritar.
E isso não diminui em nada o tamanho do amor que sinto por ela.
Talvez até prove que é amor mesmo.
Porque depois da raiva, da implicância e da vontade de mandar aquela criatura para bem longe…
eu ainda quero que ela volte.

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