Coragem Também é Partir

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Sei que muitos irão me chamar de egoísta, fraca, covarde. Talvez alguns até digam que eu desisti.

Mas não é nada disso.

Hoje estou segura de mim. Talvez mais do que estive em muitos momentos da minha vida. E, curiosamente, foi preciso muita coragem para chegar até aqui.

Eu amo as pessoas que passaram pela minha vida. Amo algumas de um jeito que nem sei explicar. Até aquelas que me feriram deixaram alguma coisa — uma cicatriz, uma lição, um limite que aprendi tarde demais a colocar.

Não quero apagar ninguém da minha história. Não quero fingir que determinadas coisas não aconteceram. A vida não funciona assim. Somos também feitos dos encontros que deram certo, dos que deram errado, das portas que fechamos e, principalmente, daquelas que demoramos uma eternidade para ter coragem de fechar.

Durante muito tempo achei que ser forte significava suportar.

Suportar relações, situações, expectativas, silêncios, ausências. Suportar para não decepcionar ninguém. Suportar para não parecer ingrata. Suportar porque sempre haverá alguém dizendo: “aguenta mais um pouco”.

Só que ninguém mora dentro da gente.

Ninguém sabe exatamente o peso daquilo que carregamos quando a porta se fecha e ficamos sozinhos com os nossos pensamentos.

Então talvez a minha maior descoberta tenha sido esta: coragem nem sempre é permanecer.

Às vezes, coragem é escolher.

Escolher a própria paz sem transformar ninguém em vilão. Reconhecer o amor que existiu sem obrigá-lo a durar para sempre. Agradecer pelo que foi vivido e, ainda assim, admitir que algumas versões da nossa vida precisam terminar para que outras possam começar.

Não escrevo isso com raiva.

Muito menos com desprezo.

Escrevo com carinho por tudo que vivi e, principalmente, com respeito pela mulher que me tornei.

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